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Marcadores biofísicos do Primeiro Trimestre
Dr. Renato Ximenes*Introdução
O diagnóstico ecográfico das malformações fetais ou de alterações cromossômicas evoluiu sobremaneira na última década. Esta evolução é fundamentada em vários aspectos como melhora na qualidade de imagem dos equipamentos de ultra-sonografia com a utilização de transdutores endocavitários de alta-frequência, maior compreensão evolutiva da embriogênese e desenvolvimento das organogênese embrio-fetal, padronização das técnicas do exame e maior experiência dos operadores na realização do exame.
Na década de 90 introduz-se o “rastreamento biofísico”, inicialmente realizado no ultra-som morfológico entre 18-24 semanas, exame este que em associação com a idade materna procura identificar alterações anatômicas no feto que possam estar associadas à alterações cromossômicas como trissomia 21, 18 e 13, mas também identificar possíveis anomalias anatômicas classificados como marcadores maiores – ex: defeito do septo atrio-ventricular ou sinais específicos também conhecidos como marcadores menores – ex: foco ecogênico.
O Prof. Kypros Nicolaides na década passada postulou que o acúmulo de fluído na região da nuca fetal (figura 1 e 2) comumente chamado de translucência nucal (TN) está associado a um aumento do risco para identificação das trissomias 21, 13 e 18. Cerca de 80% dos fetos com aneuploidias tem a medida da TN aumentada (acima do percentil 95°), porém estes achados associados a 5% (falso positivo) de fetos com cariótipo normal (Snijiders, 1998). O entendimento da organogênese fetal neste período da gestação nos trouxe uma nova realidade, o diagnóstico no primeiro trimestre de malformações anatômicas, que podem ser isoladas ou associadas à aneuploidias e/ou síndromes genéticas.
Recomendamos que o ultra-som morfológico de primeiro trimestre seja encarado como um exame muito importante, pois nesta fase da gestação a qualidade das imagens é muito boa pois utilizamos preferencialmente a via transvaginal com transdutores de alta frequência, bem como a avaliação sistematizada dos orgãos fetais, com a possibilidade de diagnósticos (tabela-1) antes somente realizados no segundo trimestre.
A utilização do Ducto Venoso (DV) vem sendo estudada desde 1996 principalmente pelo grupo do Prof. Dr. Nuno Montenegro (Portugal) e é um método bastante importante nos fetos com TN aumentada para identificação de anomalias cromossômicas e cardiopatias congênitas. A medida da TN acima do percentil 95° e DV com onda A ausente ou reversa (figura 3) está associada à cardiopatias graves e resultados perinatais adversos. Porém os trabalhos mais recentes ainda relatam que não existe um valor significativo nos casos com TN normal e DV anormal.Mostrando Página 1 de 3
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